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Conteúdo livre ou Pirataria?

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16.01.2012 | Daniela Agrelli Geral | Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

O mundo todo, de empresários a usuários, está atento quanto ao desfecho do novo projeto de lei americano, o SOPA (Stop Online Piracy Act), e os rumos que isso dará ao conteúdo produzido e ou compartilhado pela internet.

Alguns tópicos da lei propõem:

- Bloqueio de sites acusados de pirataria (e isso inclui o que os usuários compartilham dentro dele, como as redes sociais);
- Serviços de pagamento online estão proibidos de negociarem com sites acusados de pirataria, com risco de também serem suspensos;
- Os donos dos direitos autorais podem pedir o bloqueio do conteúdo sem notificação judicial;
- Serviços de internet que realizarem o bloqueio de sites com conteúdo impróprio ganham imunidade;

E gigantes da internet compraram uma briga contra. Acontece que a cultura hoje se fundiu a internet, e estas são capazes de impor fortes correntes ideológicas, coisa que há muito tempo os americanos vinham fazendo, ditando moda com sua indústria cultural.

Dentre os argumentos favoráveis dos simpatizantes ao SOPA é que inventores, autores e empresários estão sendo roubados por estrangeiros que estão fora do alcance de suas leis, o que prejudica sua economia e os empregos dos americanos. E o discurso de quem é contra é que isso fere a liberdade de expressão, impede as pessoas de trocarem conhecimento, informação e afetaria os negócios de forma geral dentro da web.

Algumas empresas que são contra, segundo o site Techrunch, são: AOL, Boing Boing, Creative Commons, Daily Kos, Disqus, eBay, Etsy, Facebook, Foursquare, Google, Grooveshark, Hype Machine, Kickstarter, Kaspersky, LinkedIn, Mozilla, MetaFilter, OpenDNS, O’Reilly Radar, Reddit, Techdirt, PayPal, Torrentfreak, Tumblr, Twitter, TechCrunch, Yahoo!, Zynga, Scribd, YCombinator, Wikipedia, Reddit, Namecheap, Petzel, ICanHasCheezburger, Quora, Embedly, MediaTemple, CloudFlare, StackExchange (Stack Overflow), Github, Linode, Hostgator, Square, The Huffington Post, Craigslist, ESET e 4chan.

E algumas delas já começaram a tomar atitudes a respeito:

- Fonte: Link do Estadão
Artistas de peso também são favoráveis ao livre compartilhamento de conteúdo. Uma prova disso foi uma ação que o site Megaupload promoveu no começo de dezembro de 2011, com o apoio de Kanye West, Alicia Keys, Will.IAm e Snoop Dog, entre outros artistas, que previamente assinaram um contrato autorizando o uso de sua imagem em um vídeo favorável ao site. A Universal, detentora dos direitos de algumas dessas “estrelas” envolvidas, entrou em contato com o Youtube e exigiu a retirada do material. Mas a Megaupload recorreu e processou a gravadora, alegando censura e que somente com ordem judicial poderia tomar tal atitude.

A Megaupload afirma também que as gravadoras estão incomodadas com o novo sistema de contrato e remuneração aos artistas que ela está propondo: enquanto as gravadoras pagam 9% dos lucros aos artistas, a Megaupload dá 90% desse valor. Confira o vídeo colaborativo dos artistas falando que usam o Megaupload.

Joichi Ito, diretor do media Lab, MIT e presidente do Creative Commons em entrevista para a Folha.com diz não ser favorável ao novo PL. Ele, autodidata, considera que o projeto tenha sido escrito por pessoas que não sabem direito o que estão dizendo, e demonstra preocupação por considerar que muitos outros países tomarão as mesmas medidas que os EUA caso isso seja realmente aprovado. E ressalta: “Precisamos proteger direitos autorais, mas precisamos criar um modelo novo para isso, no qual as pessoas paguem por acesso e por autenticidade. É um problema complicado, mas cuja solução tem mais a ver com inovação do que com controle.”.

Outro fator que temos que analisar é que o SOPA não representa nada perto dos questionamentos que estão por surgir com o uso do computador, redes e a internet. O SOPA, vingando ou não, não fará estas discussões terminarem por aqui.

No Brasil

O MinC anunciou em dezembro de 2011 um novo texto de direitos autorais que, se aprovado pela presidenta Dilma Roussef, obrigará blogs e sites a remover o conteúdo reclamado, mesmo sem ordem judicial, mas sem bloqueá-los. A gravadora, por exemplo, que encontrar material ilegal em blogs poderá solicitar a remoção do conteúdo, sem avaliação prévia. O dono do blog pode depois entrar com pedido de ajustes do conteúdo e assumir a responsabilidade para si da postagem, caso houver alguma outra acusação.

“Foi-se o tempo em que a rede era um território livre, onde tudo podia acontecer”, declara Ronaldo Lemos, presidente do Creative Commons no Brasil, em podcast gravado para a Rádio Folha onde discursa que o Brasil é o único país que defende a liberdade na rede.

O Brasil tem a 4ª pior legislação para direitos autorais, como anunciado pela Consumers Internacional em abril de 2011 (link: http://www.consumersinternational.org/media/694498/ipwatchlist2011-engrvsd.pdf). Segundo o estudo, as leis por aqui prejudicam o acesso à cultura e educação, visto que nossa atual lei não permite nem cópia física ou digital de estudos científicos. A nova lei proposta permitirá cópias de obra para uso privado.
A previsão da votação do SOPA no Senado americano é no final de janeiro. Veja no site Spacial Situation os deputados que são contra ou a favor da lei.

Leia também o texto da lei, na íntegra.

Entenda mais sobre com a ajuda de infográficos:

Dicas de hospedagem

SOPA infographic

Ditando moda no mundo digital

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09.01.2012 | Dani Santos Geral |

No fim do ano passado, fui conferir o evento Inovações Digitais: um encontro organizado pela WGSN em parceria com a Mindset e a Vice, no Puma Social Club. Fui despretensiosamente, pensando que era apenas mais um evento sobre Social Media. Estava enganada. O tema central era negócios de moda e sua presença nas redes sociais.

Uma das coisas que me chama atenção nesta área é que o mercado de moda, de longe, parece um negócio fácil, simples. Contudo, é um trabalho que envolve constante análise de tendências em busca de padrões de comportamento, como explicou Andréa Bisker, diretora da WGSN na América do Sul.

Desta forma, realizar um estudo amplo é essencial para a sobrevivência das marcas do setor, como levantou Letícia Abraham, sócia da Mindset. Esta pesquisa deve envolver áreas como sociedade, mídia, artes e história, por exemplo. Afinal, a tendência é algo curto, passageiro, enquanto a motivação humana, que originou a tendência, permanece e, por isso, deve ser entendida.

Tendo em vista que a moda é comunicação visual, obviamente, a imagem é o ponto alto de qualquer campanha do setor. Assim, por ter um caráter (quase) universal, a imagem é peça-chave no relacionamento com o consumidor de moda. Partindo dessa premissa, a tendência macro desse mercado na internet é o que Letícia chamou de Imagetelling, que consiste em contar histórias por meio de imagens ao invés de palavras, construindo pictogramas que representem uma marca. Este recurso tem sido explorado por grandes empresas da moda com o uso de redes sociais como Intagr.am e Tumblr.

Dentro do contexto tecnológico, a editora de marketing da WGSN, Rachel Arthur, apontou 4 tendências digitais para o setor, mas que, a meu ver, também podem ser implementadas em outras áreas.

O primeiro deles é o Magnetic Content, ou seja, as empresas precisam gerar conteúdo que efetivamente atraia seu público-alvo com o objetivo de estabelecer um relacionamento com seus consumidores. Para manter essa relação, Rachel defende a utilização de ferramentas que valorizem o Imagetelling e aponta o Tumblr como rede mais promissora para as marcas. Destacou ainda que o Brasil, por exemplo, já corresponde a 1% do tráfego da rede.

O conceito de Storybuilding foi apontado como segunda tendência. De acordo com Rachel, a diferença entre o Storytelling e o Storybuilding (sim, eles são diferentes) é que: o primeiro tem começo, meio e fim. Já o segundo tem começo, mas não tem fim porque o consumidor é posto como peça-chave para a construção da história da empresa, um coautor.

A terceira tendência levantada é o que Rachel chamou de Virtual Pop-ups. São interações com o consumidor que integram o on e off-line, como ações envolvendo realidade aumentada. Os exemplos mais recentes são: os copos temáticos de final de ano lançados pela Starbucks nos Estados Unidos e a campanha de lançamento do Beetle 2012, da Volkswagen.

E como último ponto Rachel destacou os Games, área que tem recebido grandes investimentos nos últimos anos. Os jogos são indicados como tendências para o mercado de moda principalmente devido ao aumento do número de mulheres que jogam online nos EUA (cerca de 79%). A Dior é um dos grandes exemplos, com a criação de jogos em que os usuários brincavam com sua linha de maquiagens e acessórios.

Superando expectativas, o mercado de moda é borbulhante também na internet, que, aliás, abre um enorme leque de possibilidades para quem gosta de arriscar e inovar não só na moda, mas em qualquer outro mercado. Assim, as dicas e tendências apontadas podem e devem ser expandidas para todas as outras áreas que estiverem nessa moda das redes sociais. E você? Está esperando o que para começar a entender mais de imagens?

50 anos pra trás ou pra frente. Pra onde vai a comunicação?

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07.11.2011 | Lah Nascimento Geral |

Quem gosta do mundo acadêmico da comunicação sabe que o momento em que vivemos hoje é uma grande bagunça. Uma das definições que ouvi sobre a bagunça que me refiro foi do Rodrigo Padron (@Padron) quando ele comenta que gostaria muito de estar 50 anos antes ou 50 anos depois dos dias atuais, porque agora é tudo muito novo e as teorias que temos, talvez, (eu disse talvez) não se encaixem mais.

Será?

No evento organizado pelo Instituto Ayrton Senna, “Educação para o Século 21”, Silvio Meira  (@srlm) fez uma apresentação bem didática e interessantíssima sobre a evolução da história da informação e do aprendizado até chegar à evolução da tecnologia e sua influência nos processos comunicacionais.

Silvio Meira explica de maneira bem leve e descontraída que as pessoas estão inseridas em contextos.  Esses contextos – sociais, econômicos, políticos e tecnológicos – devem ser levados em consideração na hora de se transmitir uma mensagem – nada de novo.

A grande novidade são os próprios contextos. O contexto tecnológico avançou tanto, e de maneira tão significativa nos últimos anos, que você, comunicador, não tem alternativa: ou você adapta a sua mensagem ou simplesmente ela não será decodificada pelo receptor (que não é mais receptor, mas isso é assunto pra outro post).

Ele classificou as gerações conforme o contexto tecnológico informacional de cada espaço de tempo, da seguinte forma:

  • X – 25 | IMPRESSO – Com o jornal;
  • 1925 – 1945 | RÁDIO – Com as novelas e a invasão alienígena;
  • 1945 – 1965 | TV – Com a Hebe Camargo e a transmissão da Copa do Mundo;
  • 1965 – 1980 | DIGITAL – Com o Desktop e as calculadoras científicas;
  • 1980 – 2000 | INTERNET – Com as redes sociais e o compartilhamento de informações em rede;
  • 2000 – 2015 | MOBILIDADE – Com smartphones, laptops e tablets;
  • 2015 – Y | PROGRAMABILIDADE – Com a adaptação e a customização das redes e aplicativos.

As três últimas gerações, de 1980 pra cá, têm o comportamento parecido no que se diz respeito à dinâmica comunicacional. São pessoas digitais em contextos digitais. Pessoas em redes. Redes Sociais Digitais.

Segundo o próprio Sílvio Meira, a comunicação nas redes sociais segue 3 passos:

  • 1 – Portátil – “venha a mim”
  • 2 – Pessoal – “traga informações que me façam sentido”
  • 3 – Participativo – “que digo o que acho pra todo mundo (meu mundo)”

Não é legal? Considerar esses três passos e respeitar os contextos, se adaptar aos contextos, é o que devemos fazer em nosso dia a dia.

Sobre o momento teórico em que estamos, a conclusão que tiro é a que aprendi lá nas teorias da comunicação no 2° semestre da faculdade, que é preciso adaptar a mensagem ao receptor final, considerando o contexto e sua capacidade sócio-cognitiva. Isso ainda se encaixa perfeitamente ao nosso cotidiano de social media.

O que mudou? A forma, as ferramentas, a rapidez, as quebras de barreiras lingüísticas e geográficas.

Como será daqui pra frente? Cabe a nós errar, acertar, experimentar, compartilhar, descobrir.

Pra quem quiser mais informações sobre o “Seminário Educação para o Século 21” e até mesmo ter acesso a apresentação do @srlm vale dar uma passadinha no blog do seminário www.educacaosec21.org.br