CDN Interativa - Diálogo digital

E você? O que conta?



Há duas semanas estive no Senac São Paulo no curso de Pós em Gestão em Mídias Sociais ministrado pela Renata Santiago minha amiga e colega de CDN. O convite era irresistível: uma aula para falar sobre jornalismo 2.0.

Já fui professora antes. O período mais longo foi numa sala de alfabetização de adultos. A princípio podem parecer dois cenários muito diferentes. Mas não são. Porque nos dois casos (e me desculpem pelo clichê) eu me senti aprendendo tanto quanto ensinando.

Na alfabetização aprendia muito com as lições de vida dos alunos: muitos já idosos que, por diversas circunstâncias, não tinham tido a oportunidade de estudar até aquele momento. Já com os alunos da Rê eu aprendi com a troca na sala de aula, mas especialmente enquanto me preparava.

Eu, que trabalho com “esse negócio de internet” desde o século passado vi muita coisa nascer e morrer na web. Alguns negócios meus, inclusive. Mas ainda me impressiono com a capacidade que temos de criar o tempo todo. A cada pesquisa sobre Jornalismo ou Comunicação Digital tenho a sensação de que existe um estudo novo, uma técnica inovadora, ou me deparo com mais um livro sobre o assunto. Aliás, quatro dias antes do encontro, foi lançado o Para Entender as Mídias Sociais. Escrito de forma colaborativa por grandes nomes da web e organizado pela jornalista Ana Brambilla, o livro trata de uma série de temas relacionados às Mídias Sociais. Dentre eles, o jornalismo. E lá fui eu mexer novamente na minha aula.

Contando histórias

Pesquisei também em outras fontes e vou tentar resumir aqui o que falei naquela meia hora. Comecei com a Prensa de Gutenberg e você vai me dizer “ZZZzZZZZzzzZZ”. Sim. É uma referência batidíssima quando o assunto é jornalismo. Falar do alemão que criou o método de impressão em tipos pra imprimir uma Bíblia em 1455 é tão antigo quanto a própria máquina. Mas na sequência falei sobre aplicativos para iPhone (e aí você acorda e se interessa de novo, né?) que levam a mesma Bíblia para os celulares. Ou seja, mudam as plataformas, mas nem sempre muda o conteúdo.

E quem produz informação hoje em dia? Eu, você, sua tia e até as marcas. Hoje todos somos produtores de conteúdo e meios de comunicação! Lá nos anos 1960, McLuhan (ZZzzzZZz você de novo) já falava sobre isso. Ele dizia: “o meio é a mensagem”. E eu digo: logo, você é a mensagem. Comunicar não é mais exclusividade de jornalistas estrelados. Estes, inclusive, também se renderam aos encantos do “mundo 2.0”. William Bonner, Tiago Leifert e tantos outros usam empolgados o Twitter, por exemplo. Você pode ou não gostar deles, mas lá entre os milhões de @s, deve ter aquele famoso que você segue e admira (um beijo, @BenHarper).

Porém, confesso que as pessoas que mais admiro na web, não são as famosas. Gosto mesmo é da história de gente que usa as ferramentas e espaços digitais em favor de uma causa, da sua comunidade ou do bem comum. As redes sociais tiveram papel fundamental nos conflitos recentes no mundo árabe. O episódio comprova o poder de mobilização das ferramentas, mas mostra também que só foi possível porque envolveu pessoas com a mesma motivação.

E é este também o combustível de tantos “jornalistas-cidadãos” como no caso do chinês OhMyNews ou do carioca Voz Das Comunidades. Esta história é ótima. Rene Silva, jovem de 17 anos, há seis criou um jornalzinho rudimentar na sua comunidade no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. Até o ano passado, ele cuidava do jornal e de um perfil no Twitter. Com os conflitos que aconteceram na região em novembro, Rene se tornou fonte obrigatória para quem procurava saber o que acontecia dentro da comunidade. No dia seguinte ao início da ocupação, ele passou de 180 para quase 20 mil seguidores no Twitter e hoje, menos de seis meses depois, seu jornalzinho se tornou um grande portal para diversas comunidades cariocas. Na apresentação, citei diversos outros cases que gosto muito quando o assunto é jornalismo cidadão. Claro que existem milhares de outros bons exemplos (e você pode indicar seus favoritos nos comentários).

Pra encerrar (ufa, você dirá!), lembro da história de um grupo de jornalistas japoneses. Nos dias após os terremotos e tsunami que atingiram o sul do país, eles fizeram à mão um jornal que foi distribuído nos abrigos montados na região. As cidades estavam sem energia elétrica, mas ainda assim as pessoas precisavam de notícias. O mais legal neste caso, é pensar que não importam as redes sociais, os computadores, os iPhones e nem mesmo o Gutenberg. O que importa é a informação e a vontade de contar uma história.

É isso. Um abraço e contem suas histórias.

Ser ou não ser digital: eis a questão

Nas últimas semanas tive uma experiência de vida que, com toda certeza, mudará a forma como conduzirei minhas caminhadas profissionais e pessoais.  E como uma profissional da cultura digital me vi rodeada de perguntas e reflexões que sempre estiveram por aqui, mas talvez não tenha dado a devida atenção.

Há duas semanas fui avisada, leia-se “postada” via Facebook, que meu pai americano, um dos seres humanos mais maravilhosos que já conheci e que mudou minha vida, estava falecendo após 15 anos de luta contra a esclerose múltipla. Após muitos posts, e-mails, mensagens via Skype, a decisão: ir aos Estados Unidos o mais rápido possível.

Tempo era tudo que eu não tinha. Pelo contrário, tinha um passaporte vencido e um vôo indefinido. Não pensei duas vezes e iniciei um “surf” enlouquecido na web: agendei no site da Polícia Federal, para dali a dez horas, o processo de um novo passaporte; comprei os voos no site da American Airlines; reservei o carro no site da Budget; e recarreguei meu cartão Visa Travel Money no site da Cotação.  Tudo concluído em um período de aproximadamente quatro horas, intercaladas pelo acompanhamento por Skype de cada acontecimento em minha “casa” nos EUA.

To make a long story short… Somos seres movidos por necessidades. E na cibercultura não é diferente. Dependendo do cenário em que nos encontramos, somos ou estamos digitais.  E se trouxermos essa visão para o cenário empresarial, não é diferente. Cultura digital não se trata apenas de ferramentas, mas sobre como podemos utilizá-la inteligentemente para potencializar ou nos ajudar a atender nossas necessidades, desde as mais urgentes até as rotineiras.

It is all about needs. As empresas são “habitadas” por pelo menos três gerações, com valores e necessidades muito diferentes. Saber identificar o que realmente pode fazer a diferença para cada uma das gerações e, em especial, para as três, é o pulo do gato. 

No meu caso, os recursos das internet foram essenciais para que eu me fizesse presente fisicamente o mais rápido possível entre aqueles que amo e que precisavam de mim naquele momento. Um mix que deu certo pra mim: digital + presencial. E pra você? Qual mix deu certo?

CDN bate um papo com Silvio Meira

Nesta semana Silvio Meira esteve na CDN conversando sobre inovação, estratégias corporativas e o posicionamento das agências diante das mudanças na comunicação.

O Ph.D. em computação, mestre em informática e engenheiro eletrônico é conhecido como um dos principais pensadores brasileiros da nova economia e tecnologia da informação.

Como cientista-chefe do Centro de Estudos e Sistemas Avançados de Recife (C.E.S.A.R), Silvio coordena o grupo de inovação da organização e defende que “inovar é emitir mais e melhores notas fiscais”, lembrando que se esta inovação não significar uma ou mais mudanças nos comportamentos das empresas e pessoas, inovação não passa de uma palavra bonita.

Confira abaixo os vídeos da entrevista exclusiva:

Inovação

Estratégia

Agências e comunicação