CDN Interativa - Diálogo digital

Quem paga por bom conteúdo?

Sim, ainda existe conteúdo de qualidade que pode ser acessado sem que o usuário precise desembolsar um único tostão, mas não há como acreditar que todo aquele material que você leu, assistiu, degustou e até copiou, não custou nada para ninguém. A máxima de que “não existe almoço grátis”, continua valendo nos tempos da internet.

Chega a ser engraçado o posicionamento de algumas pessoas frente ao custo que se tem a pagar por conteúdo. Meu pai, por exemplo, sempre foi assinante de jornais como O Estado de S. Paulo. Pode ser que em algum momento da minha vida eu tenha acreditado que estávamos pagando pela entrega do jornal na porta de casa, mas fazendo uma análise mais crítica, desde tempos remotos nós já pagávamos por conteúdo.

Talvez pelo fato da internet ter disponibilizado uma grande quantidade de informações “gratuitas” desde o seu surgimento, hoje algumas pessoas se negam a pagar por assinaturas digitais, como a que o próprio Estadão começou a cobrar para seu aplicativo de iPad.

Talvez eu não precisasse lembrar ninguém disso, mas quando eu disse que não existe almoço grátis, é claro que eu me referia ao fato de que você pode não pagar para ler as notícias do site Terra, por exemplo, mas isso só acontece porque ele gerou um outro modelo de negócios onde o seu pagamento acontece toda vez que você assiste a uma propaganda, clica em um banner, realiza uma compra de produto por meio do seu shopping e assim por diante.

O New York Times, que também tem cobrado pelo seu conteúdo, sofreu uma queda de 15% no seu número de leitores digitais nos últimos meses. Na minha opinião, é uma queda até pequena, e eu não duvido de que em algum tempo, o número de leitores volte a subir.

O que existe de muito similar e estranho nos casos do Estadão e do NYT é que o preço para assinatura do conteúdo é uma verdadeira confusão de valores e combinações de opções, mas de uma maneira geral, você pode pagar US$ 1,99 por cada edição avulsa do Estadão (meio absurdo, não?), ou então desembolsar RS$ 29,90 ao mês (bem mais razoável).

Nesta semana, recebemos aqui na CDN Digital a visita de duas representantes do site WGSN, que tem sede em Londres, mas que espalha seus caçadores de tendência pelas mais importantes capitais do mundo. O WGSN é especializado em fornecer conteúdo sobre tudo o que é tendência no mundo. Agências de publicidade, ateliers de alta-costura, escritórios de arquitetura e muitos outros negócios se amparam nas “especulações” analisadas pelo WGSN, que diz prever hoje o que será “moda” daqui a dois anos: uma informação super-preciosa, que tem custo anual de US$ 15 mil por assinatura!

Citei o caso da WGSN para analisar o argumento de muitas pessoas adeptas da apropriação indébita: “Isso é muito caro! Se fosse mais barato eu compraria.” Aliás, tenho muitos amigos que baixam música, filme, software, jogos e tudo mais que desejam sem pagar nada. Um artifício nacionalmente conhecido como pirataria. O conteúdo não É gratuito, mas na opinião deles, ESTÁ gratuito, graças a alguns serviços de compartilhamento de arquivos.

O argumento do preço alto é quase como dizer que alguém está meio-grávida. Não existe meia-honestidade. Pensando por este lado, qualquer um poderia dizer que roubou um Porsche Panamera da concessionária só porque ele é muito caro.

Para tentar driblar esse argumento, alguns sites e artistas criaram um formato diferente de cobrança. Pague se quiser e pague o quanto você achar que vale, utilizando ferramentas como a de doações do PayPal. Posso apostar com vocês que aqueles que pagam (qualquer valor) são as mesmas pessoas que pagariam por qualquer outro conteúdo que é cobrado normalmente.

Ou seja, o problema não é o quanto se cobra, o problema é a índole de algumas pessoas que insistem em acreditar que o trabalho do cidadão que criou aquilo tudo não tem valor nenhum.

Sei que muita gente é capaz de entrar aqui para defender a pirataria por N motivos, mas eu continuo acreditando que o conteúdo de qualidade ainda tem espaço para ser cobrado e bem pago. É por essas e outras que eu faço questão de só ter filmes originais, jogos originais de PS3, software com licença original etc.

E pra completar, li um post legal no Twitter essa semana, que eu não lembro se citava o caso específico do iPhone 4 ou de qualquer outro aparelho, então vou adaptar um pouco o texto: Você gasta uma fortuna no seu celular, mas se nega a pagar US$ 1 por um app???  Tsc, tsc, tsc.

Top 5 coisas mais malas em um site

 

Outro dia li num blog um post bacana sobre os motivos que fazem as pessoas abandonarem um site.

Especificamente no meu caso, tem coisas que me deixam com o humor de um homem bomba preso em um engarrafamento em Bagdá. Por exemplo, não tem nada pior do que você acessar um site e, do nada, vir aquela musiquinha de não se sabe onde. Aí não tem jeito, morte lenta e dolorosa a quem teve a “brilhante ideia”. Navegação confusa, fontes pequenas e publicidade no meio do texto também são de doer.

E eu, que sempre me achei muito mala por sair sem dó de um site quando há coisas assim, não é que achei ali, naquele post, um monte de comentários de gente que pensa do mesmo jeito? Yes!

Pois é, não há um grupo de ajuda pra pessoas como nós. Que eu saiba, não existe um “Usuários-anônimos-de-sites-ruins” e nem um número de telefone para o qual você liga e uma voz reconfortante te diz: “Sim, eu sei como é. O importante é saber que você é mais do que aquela música no fundo da página. Você é uma pessoa muito humana. Sai desse DHTML que ele não te pertence”. Mas isso são casos extremos, ok? Algumas seções de análise e terapia de vidas passadas podem resolver. Ou não.  

Mas o que eu queria mesmo dizer, após esse prólogo aparentemente sem importância, é que existem coisas bem chatas e que podem tirar o visitante da sua página. E isso pode fazer você perder um cliente. Ah, e dinheiro também, claro.

Então é isso. Segue aí abaixo os meus top 5 coisas mais malas em um site.

1 – Som automático.

Definitivamente, nada é mais irritante, certo?

2 – Loading demorado

Mais que 10 segundos é inadmissível. Ah, e loading sem uma barra de indicação de progresso também não dá.

3 – Não saber o que o site faz.

Poxa, em 5 segundos a pessoa tem de saber o que o site faz. Objetividade!

4 – Publicidade mais importante que conteúdo.

Sim, eu sei. O site tem de se pagar, o cliente tem razão etc. etc. Mas publicidade mais importante que o conteúdo é demais.

5 – Banner DHTML

Claro, tem casos e casos. Mas pelo menos com popup você pode bloquear, né? Já com DHTML é jogo sujo. Em alguns o cara faz o botão de fechar tão pequeno e escondido que você acaba clicando no banner. Maldade pura.  

Mas e você? O que te irrita em um site? Solte o verbo e diga os seus motivos pra abandonar uma página. Quem sabe não fazemos um documento com dicas que vão ajudar um monte de gente. Combinado?

Webwriter, muito além de escrever

Na segunda semana de janeiro, ministrei o módulo de Webwriting no curso de Gerentes de Mídias Sociais do E-commerce School, em São Paulo, e me dei conta que muita gente ainda acredita que Webwriting é sinônimo de redação para web e, num curso com este nome, aprenderia apenas técnicas de redação. Na verdade, Webwriting vai muito além do texto, contemplando todo o conteúdo e sua organização em ambiente digital.

Em 1997, o papa da usabilidade, Jacob Nielsen, publicou no seu site www.useit.com o resultado de testes de comportamento do texto em ambiente online. Ele identificou a necessidade de uma formatação do texto específica para a web e, desde então, ele e outros profissionais iniciaram estudos neste sentido. (No Brasil, eu destacaria Bruno Rodrigues, autor do livro “Webwriting – Pensando o texto para a Mídia Digital” e que mantém o blog Cebol@)

Os ambientes digitais passaram por transformações, consolidaram-se como meios de distribuição de informação e ampliaram as possibilidades de utilização de conteúdo multimídia. O conteúdo, antes restrito a textos, ganhou vídeos, galerias de imagens, animações, infográficos interativos, ícones, mapas em flash, áudios e outros formatos.

Com a evolução dos ambientes digitais, o Webwriting passou a ser entendido como o conjunto de técnicas de organização e de distribuição de conteúdo (sejam vídeos, imagens, áudios ou textos) em ambientes digitais. Com o objetivo principal de facilitar a leitura e a navegação do conteúdo lançando mão de técnicas e de conhecimentos, não só de redação e de formatação de texto, como de arquitetura de informação, usabilidade, SEO, Acessibilidade, Transmedia, entre outras.

Conteúdo em blocos e camadas

De acordo com estudos realizados (como os de Jacob Nielsen), uma boa maneira de organizar o conteúdo em ambientes digitais é distribuí-los em Lexias. Segundo a enciclopédia digital Encydia, uma lexia é a unidade mínima de leitura que compõe um texto e foi cunhado pelo pensador francês Roland Barthes.

O conceito de lexia foi apropriado por teóricos do Hipertexto como George Landow e Ted Nelson para se referirem aos blocos de informações distribuídos em ambientes digitais. A distribuição hipertextual do conteúdo em lexias permite que o leitor navegue pelo conteúdo conforme seu interesse.

Gosto também do conceito de Bruno Rodrigues que diz que o conteúdo para ambiente digital deve ser organizado em camadas, como numa cebola. Na Cartilha de Redação Web, que Bruno Rodrigues desenvolveu para o Governo Federal, ele divide o conteúdo em três camadas:

1) Camada de Apresentação: onde são expostos os aspectos mais persuasivos da informação que virá a seguir;
2) Camada Genérica: onde são respondidas questões básicas sobre a informação em questão;
3) Camada de Detalhamento: onde estão todos os detalhes sobre a informação abordada.

Ou seja, para facilitar a navegação, a distribuição de conteúdo deve ser em camadas organizadas em blocos (lexias) – independentes e complementares – que são ligados (linkados) por hipertextos (links).

Formatação de Texto

O conceito de Lexias também ajuda na formatação do texto em si. A ideia é escrevê-lo em blocos, utilizando intertítulos (como estou fazendo aqui). Vale ainda destacar algumas palavras-chaves em negrito ou itálico (não gosto de usar sublinhado em textos digitais, já que o mesmo pode sugerir hiperlink).

O consultor de Social Media e colunista do site Mashable, Muhammad Saleem, destaca que o leitor de mídias digitais (que ele chama de “leitor diagonal”)- diferente de um leitor convencional que lê aproximadamente 240 palavras/minuto – lê em média 900 palavras/minuto. Pensando nisso, ele lembra que a utilização de listas (tópicos ou bullets) pode ajudar na leitura. Destaca também que escrever em CAPS LOCK reduz em até 13% a velocidade de leitura (além de ser considerado agressivo pela etiqueta online).

SEO – seja encontrado

Outro ponto destacado por Muhammad Saleem é em relação ao título do texto que ele acredita que deva ser breve e enfático. Eu destacaria outro ponto importante: escrever títulos que sejam encontrados em buscadores, especialmente no Google. As técnicas de SEO – Search Engine Optimization – ajudam e muito nesta tarefa!

Não só o título, mas todos os elementos textuais do conteúdo devem ser pensados com as técnicas de SEO: o próprio texto, o título da imagem, o alt (aquele texto que aparece quando passamos o cursor), devem ser escritos pensando em palavras-chaves. Ou seja, o segredo para potencializar a “encontrabilidade” do texto é usar palavras que são comumente buscadas pelos usuários em ferramentas como o Google.

Webwriter

Levando em conta estes e outros conhecimentos que o webwriter deve desenvolver, eu acredito que webwriter é muito mais do que um redator: ele é produtor, planejador e gestor de conteúdo para mídias digitais e interativas. É praticamente um estrategista de distribuição de conteúdo multimídia para ambientes digitais e que usa seu conhecimento e técnicas com o objetivo facilitar a navegação do leitor!